quinta-feira, 17 de julho de 2008

POEMA DA PAIXÃO

No processo de criação, o diretor pediu que o elenco escrevesse alguns poemas para as fases de suas personagens. Raiça Bomfim, que já gosta do ofício, traduziu em versos a paixão de Ariadne e este é o seu texto na cena de encontro com Teseu:

Entreguei-me à escuridão
pra ser teu guia luminoso.
Ao ver a face do herói,
me achei rainha.
Dá-me a coragem de teu corpo Raiça Bomfim e Leandro Villa
e teu pêlo em meu entorno.
Saca-me os aros, os panos,
as maneiras.
Despoja-me de tudo que não
seja estrelas
e lança-me no espasmo.
É imenso esse lugar,
a noite nos anseia.
Hei de sangrar vestida por
tua virtude.
Que então dessangre a estirpe,
o nome, a realeza...
Tua áfrica me dita os poros
e que eu te afrodite
no gérmem da delícia,
meu amor,
meu amor,
meu amor.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

OS ECOS
(ou a equipe)
parte I

O Vilavox queria estrear uma nova peça esse ano, com um diretor convidado. Patrick veio com sua idéia mitológica e aos poucos mais e mais pessoas foram aparecendo e construindo juntas esses labirintos.

OS SONS
Uma galera que chegou com cara, coragem e muita vontade criativa foram os músicos que têm colaborado muito na resolução de cenas, contando, é claro, com a participação imprescindível do preparador vocal do grupo. São eles:

Marcelo Jardim, Nando Zâmbia, Diana Ramos, Jarbas Bittencourt e Daniel Neto

passe o mouse para ver os nomes e clique para ampliar

terça-feira, 15 de julho de 2008

DÉDALO

(seu filho e seu sobrinho)

DÉDALO era um gênio, o maior inventor e arquiteto de Atenas. TALO era seu sobrinho-aprendiz, inventor do compasso e serrote e que aos poucos, seguindo os passos do mestre, começa a superá-lo. Invejoso dele, Dédalo o leva ao alto do Templo da Deusa Atena e o empurra para a morte, mas antes que este chegue ao chão, a Deusa o transforma num pássaro, uma perdiz.

Com medo da punição dos deuses, Dédalo foge com seu filho ÍCARO para Creta, reino rival onde é recebido pelo rei MINOS e logo recebe a encomenda de construir uma prisão para o monstro MINOTAURO de onde ninguém possa sair. Dédalo assim o faz e constrói sua maior invenção: o labirinto. Porém, por ter ajudado PASIFAE em seu amor com o touro e ter dado o fio que ARIADNE entrega a TESEU para escapar do labirinto, é aprisionado pelo rei em sua própria obra-prima após a morte do minotauro.

Após anos presos, pai e filho catam as penas das aves e a cera das abelhas para confeccionar asas e fugir do labirinto por cima, como pássaros. Porém ao voarem, Ícaro, desobediante ao pai, encanta-se com o brilho do sol e o calor do astro desfaz suas asas condenando-lhe à queda fatal. Dédalo encontra o corpo de seu filho e ao enterrá-lo percebe uma perdiz ao lado do seu túmulo. Dessa forma entende que os deuses finalmente o puniram, matando seu filho do alto, como fez com seu sobrinho.

Trecho do monólogo de Dédalo, escrito e interpretado por Gordo Neto:

Eu obedeci. Eu fiz. E agora somos nós que estamos aqui. A minha paga foi essa: o infeliz me prendeu na minha obra. Quando a arte está a serviço do rei, o artista está preso.


Gordo Neto e Cláudio Machado

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Precisamos da sua ajuda! Um dos cenários da peça será feito com FILTROS DE CAFÉ USADOS. Você tem? Sabe quem tem? Alguma dica? Por favor deixe um comentário aqui embaixo. Não jogue fora o que pode virar arte! Deixe quantos filtros você puder aqui no teatro, nominados ao Grupo Vilavox. Se você não pode trazer a gente dá um jeito buscar! A recompensa é ajudar uma produção teatral criativa e sem recursos e contribuir diretamente com o nosso projeto! Desde já, muito obrigado!
Contatos: vilavox@teatrovilavelha.com.br 3083-4616


FOTOS




A fotógrafa Carol Garcia veio a um de nossos ensaios e tiramos algumas fotos para a divulgação do espetáculo. O que podemos adiantar é que ficaram muito boas, como vocês podem ver aqui ao lado. Uma delas estará no postal do Vila de agosto.
Na foto Bruno Guimarães veste o Minotauro (clique para ampliar)

domingo, 6 de julho de 2008

O CAMINHO
(ou o processo)


Para contar os mitos de Teseu, Dédalo e Parsifae, o Vilavox se lançou num processo de criação coletivo, sob a direção de Patrick Campbell, doutorando em Artes Cênicas pela Escola de Teatro da UFBA. De abril para cá, direção e atores entraram num processo intenso de ensaios, reuniões, reflexões e produção de imagens e cenas, para aproximar essa história dos nossos dias. O que esses símbolos e arquétipos têm a nos contar é a pergunta que norteou todo o processo de criação.

De forma livre, os atores foram improvisando cenas, imagens, partituras físicas. Com estímulos construiram poemas, canções, movimentos. Esses materiais foram ganhando mais corpo, sentidos e dando forma a dramaturgia de Labirintos, completamente coletiva e desenhada pelo grupo. Essas costuras não são coisa simples, mas a direção busca atentamente ir colando e completando os sentidos das histórias.

Jarbas Bittencourt compondo com o elenco


Um elemento fundamental desse trabalho é a musicalidade, marca presente em todos os espetáculos do Vilavox e que tem grande peso nessa nova montagem. Patrick é um pesquisador das sonoridades e das músicas tradicionais de diferentes culturas, guardando em sua bagagem e memória canções nas línguas mais variadas. Com essa enciclopédia sonora, o diretor foi trazendo para Labirintos, canções búlgaras, francesas do período medieval, entre outras. Para entoar os cantos com técnica e afinação, o grupo acompanha semanalmente as aulas de Marcelo Jardim, que assina a preparação vocal do elenco.

A textura musical intercultural vem ganhando maior peso e colorido com as intervenções de Jarbas Bittencourt, na direção musical. O músico é um parceiro indissociável do Vilavox e está compondo uma cama de sons generosa. Com a participação de três músicos, os atores vão fazer música com objetos simples, instrumentos, voz e a própria estrutura do teatro, que se transforma num inebriante labirinto de sons.

Todo esse som reverbera nos corpos que se movimentarão das formas mais inusitadas. A espetacularidade é a tônica: rappel, pernas de pau, dança, coreografias, teatro físico fazem parte dos elementos desse projeto cênico. A preparação corporal para dar conta de toda essa variedade de técnicas e movimentos está por conta de Líria Morays.

Os ensaios são diários até a estréia de Labirintos, no dia 1° de agosto, no Vila Velha. É aguardar e conferir esse trabalho promissor.

Leandro Villa e Bruno Guimarães
O grupo discute cada passo do caminho O CENÁRIO

A cenografia fica por conta de Cláudio Machado, Yoshi Aguiar e Deilton José que trouxeram uma primeira maquete do cenário do palco principal do teatro, que será o labirinto propriamente dito. Ao todo são 102 praticáveis usando diversos níveis e formando estrutras espirais, rampas, plataformas e arquibancadas por onde o espetáculo e a platéia devem percorrer. Agora é pôr a mão na massa!

terça-feira, 24 de junho de 2008

O PROJETO

Labirintos é o mais novo projeto cênico do Grupo Vilavox, residente do Teatro Vila Velha, Salvador Bahia. Com direção de Patrick Campbell, a trupe está trabalhando na recriação dos Mitos gregos de Teseu, Pasifae e Ícaro. Para contar essa história de forma atualizada e contextualizada com nossa cultura, elementos afro-brasileiros e latinos vêm sendo empregados na constituição das cenas. Além disso, recursos de teatralidade também ajudarão a contar essas histórias. Bonecos, pernas-de-pau, canto, música e técnicas de circo darão o tom da montagem, que tem estréia prevista para agosto.

Labirintos promete ser uma experiência cênica de desvendamento, desnudamento e reconhecimentos. Uma espécie de perder-se para se achar. Para isso, o espectador será convidado a enxergar o Passeio Público como esse espaço cênico onde serão vividas essas histórias míticas. Os diversos ambientes do lugar já estão sendo explorados pelos atores. De forma itinerante, o espetáculo vai levar o público para dentro da história que tem no embate entre formas diferentes de ver o mundo o seu fio condutor. A racionalidade versus o pensamento mítico e da fábula. O choque de culturas, de valores e de formas de poder se expressarão na peça, tendo o labirinto como ponto de ligação na história desses personagens.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

PASIFAE

(a mulher e o touro)


Pasífae, filha de Apolo e de Perseis, foi a mulher de Minos e mãe de Androgeu, Ariadne e Fedra. O seu marido Minos se recusou a sacrificar um enorme touro branco a Poseidon, este, por vingança, conseguiu convencer Afrodite a castigá-lo. Assim, a deusa do amor enfeitiçou Pasifae, inspirando-lhe um amor irresistível por esse touro branco. Dédalo ajudou este amor monstruoso de Pasifae, fabricando para ela uma vaca de madeira tão perfeita que enganou o touro. Pasífae colocou-se no interior e dessa união nasceu um ser metade touro metade homem: o Minotauro.

Trecho da cena da Côrte, fala de Pasifae escrita e interpretada po Jacyan Castilho:

Você não é igual a mim. Você não olha para mim. Você não me olha como mulher. Você não sabe quem eu sou. Você não sabe que eu sou uma deusa. Você está se lixando, não é isso? Pra minha divindade? Mas eu vou sujar a minha divindade com você.

Jacyan Castilho, Daniel Farias e Cláudio Machado

TESEU

(a criança e seu destino)


TESEU era fruto do encontro entre Etra e EGEU, rei de Atenas em uma suas viagens. Antes de conhecer o filho, Egeu teve de voltar a Atenas, pois a situação estava um pouco instável devido à ambição dos sobrinhos. Por esse motivo, inclusive, o rei pediu a Etra que, se ela desse à luz um menino, só revelasse ao filho quem era seu pai quando ele tivesse forças para pegar a espada e as sandálias que ele escondera sob uma enorme pedra. Depois disso devia ir em segredo até Atenas, pois os ambiciosos palântidas eram capazes de matá-lo.

Nasceu um menino, que cresceu vigoroso e forte como um herói. Aos dezesseis anos seu vigor físico era tão impressionante que Etra decidiu contar-lhe quem era o pai e o que se esperava dele. Teseu ergueu então a enorme pedra antes movida por Egeu, recuperou a espada e as sandálias do pai, e dirigiu-se para Atenas.

Lá chegando encontrou um rei derrotado pela decadência do império. Humilhado pelo tributo de 14 virgens devidos anualmente a Creta para serem devorados pelo MINOTAURO, o monstro do labirinto. A origem da dívida devia-se ao fato de que anos antes, nos jogos de Atenas, os cidadãos mataram por inveja Androgeu, o primogênito do rei Minos campeão absoluto da competição. O rei de Creta resolve então se vingar anualmente.

Trecho da cena do encontro de Teseu com seu pai, Egeu:

Preciso ir, pai, prometo voltar. Vou à Creta, para nos libertar desse pesadelo. Trocarei as velas do barco quando voltar. Voltarei de velas brancas.

Leandro Villa